Vitamina D: porque é que quase toda a gente em Portugal está em défice

Parece um paradoxo: Portugal é um dos países mais ensolarados da Europa, e ainda assim os estudos mostram que uma grande parte da população tem níveis insuficientes de vitamina D.

Como é possível?

A resposta é mais simples do que parece — e provavelmente descreve o teu dia a dia.

O que é a vitamina D e porque é tão importante

A vitamina D é frequentemente chamada de “vitamina do sol” porque o principal mecanismo de produção é a exposição solar — mais concretamente, a radiação UVB a atuar sobre a pele.

Mas chamar-lhe apenas vitamina é redutora. A vitamina D funciona no organismo mais como uma hormona do que como uma vitamina tradicional. Está envolvida em centenas de processos biológicos, entre os quais:

  • Absorção de cálcio e saúde óssea
  • Funcionamento do sistema imunitário
  • Regulação do humor e prevenção de estados depressivos
  • Saúde cardiovascular
  • Função muscular

Um défice prolongado não provoca sintomas dramáticos imediatos — vai minando o organismo de forma silenciosa. É exatamente isso que o torna perigoso.


Então porque é que os portugueses têm défice?

Ter sol não chega. O problema está na forma como vivemos.

Passamos o dia fechados A maioria das pessoas trabalha em escritórios, passa horas no carro e chega a casa quando o sol já está baixo. A exposição solar real, nas horas certas, é mínima.

Usamos protetor solar O protetor solar é essencial para prevenir cancro de pele — não estamos a questionar isso. Mas bloqueia também a produção de vitamina D. Mesmo em dias de praia, se estiveres bem protegido, a síntese é muito reduzida.

O ângulo do sol no inverno Entre outubro e março, o ângulo da radiação solar em Portugal é demasiado baixo para estimular a produção de vitamina D na pele, mesmo em dias de sol. Ou seja, durante pelo menos 4 a 5 meses por ano, a exposição solar simplesmente não chega.

A alimentação ajuda pouco Poucos alimentos contêm vitamina D em quantidades significativas — peixe gordo como salmão, sardinha e cavala são as melhores fontes, mas o consumo regular não é suficiente para manter níveis ótimos sem exposição solar.


Como saber se tens défice

A única forma de saber com certeza é através de uma análise ao sangue. Pede ao teu médico a medição de 25-hidroxivitamina D (também chamada 25(OH)D).

Os valores de referência gerais são:

NívelValor
Défice graveAbaixo de 20 ng/mL
Insuficiência20 a 30 ng/mL
Suficiente30 a 60 ng/mL
Ótimo40 a 60 ng/mL

Muitos laboratórios consideram “normal” qualquer valor acima de 20 ng/mL, mas a maioria dos especialistas em medicina funcional defende que o alvo deve ser entre 40 e 60 ng/mL para benefício real na saúde.


Os sintomas mais comuns de défice

Se ainda não fizeste análises, alguns sinais podem indicar que os teus níveis estão baixos:

  • Cansaço persistente sem causa aparente
  • Infeções frequentes — constipações, gripes, problemas respiratórios
  • Dores musculares ou ósseas difusas
  • Humor baixo, irritabilidade ou tristeza sem motivo claro
  • Dificuldade em concentrar-te

Atenção: estes sintomas são inespecíficos e podem ter muitas causas. Não substituem uma análise ao sangue.


Como corrigir o défice

Exposição solar moderada Nos meses de verão, 15 a 20 minutos de sol direto nos braços e pernas (sem protetor solar) ao meio-dia são suficientes para uma produção significativa. Não é necessário apanhar sol até ficar vermelho — e nunca deves fazê-lo.

Alimentação Inclui regularmente sardinha, salmão, cavala, ovos e cogumelos expostos ao sol. Não chega para corrigir um défice, mas contribui para manter níveis adequados.

Suplementação Se as análises confirmarem défice, a suplementação é a forma mais eficaz e controlada de corrigir os níveis. A forma mais recomendada é a vitamina D3 (colecalciferol), idealmente tomada com uma refeição que contenha gordura, pois é uma vitamina lipossolúvel.

A dose habitual de manutenção situa-se entre 1000 e 2000 UI por dia. Para corrigir um défice confirmado, o médico pode recomendar doses mais altas durante um período limitado.


Vitamina D3 ou D2?

Existem duas formas de suplemento: D2 (ergocalciferol) e D3 (colecalciferol).

A D3 é a forma que o teu próprio corpo produz pela exposição solar, e os estudos mostram que é mais eficaz a elevar e manter os níveis no sangue. Sempre que possível, opta pela D3.

Uma nota importante

A vitamina D é lipossolúvel, o que significa que se acumula no organismo. Em doses muito elevadas e durante períodos prolongados, pode atingir níveis tóxicos. Por isso, a suplementação deve sempre ser baseada em análises ao sangue e, idealmente, acompanhada por um médico — especialmente se estiveres a tomar doses acima de 2000 UI por dia.

Se precisas de suplementar, podes encontrar um bom suplemento de vitamina D3 aqui — opta sempre por uma fórmula que combine D3 com K2, pois as duas vitaminas trabalham em conjunto para uma absorção mais eficaz.


Em resumo

O défice de vitamina D em Portugal não é um mito nem um exagero da indústria dos suplementos. É uma realidade documentada, com consequências reais para a saúde, e tem causas muito concretas no estilo de vida moderno.

A boa notícia é que é fácil de diagnosticar e fácil de corrigir. Uma análise ao sangue, um pouco mais de sol nos meses quentes e, se necessário, um suplemento de qualidade são tudo o que precisas.

Já fizeste análises à vitamina D? Conta-nos nos comentários — adoramos saber a experiência de quem nos lê.

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